segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ambientes e formas de acessos à leitura

Ambientes e formas de acessos à leitura
Andreia Aparecida Silva Donadon Leal
Já escrevi textos que trataram sobre o prazer da leitura em ambientes e formas de acessos diversificados.  Formas de acesso ao texto podem ser o tradicional, em que os livros são de papel; ou o contemporâneo, em que a leitura é realizada através de e-books, mensagens virtuais, blogs e sites. O que importa não é o gênero escolhido ou o ambiente de leitura – virtual ou presencial – importante é ler, sejam clássicos, best-sellers, poesias, jornais, revistas, romances, estórias em quadrinhos, etc. Quando menciono ambiente presencial destaco presença do mediador e do texto, independente da forma de acesso; o virtual pressupõe presença ou não do mediador, e o acesso é através dos recursos tecnológicos. O motivo para o gosto e prazer pela leitura está relacionado intrinsecamente à mediação e ao dinamismo do educador, ao explorar formas de acesso ao texto, com alunos dentro e fora do ambiente escolar.
O primeiro contato com o livro, infelizmente, para muitos alunos é através da escola, cabendo ao professor incentivar, criar e promover encontros literários, com objetivo de seduzir o futuro leitor e de iniciá-lo no caminho benéfico e promissor da leitura. A família também tem papel precípuo no incentivo à leitura, antes e durante o processo de escolarização. Há professores que conseguem seduzir alunos para o mundo dos livros, através de leituras diárias, explorando com maestria e astúcia, formas disponíveis de acessos ao texto. Diversificadas formas de trabalhar o texto promovem leituras prazerosas na sala de aula, na biblioteca escolar, no pátio, na quadra esportiva, nos tradicionais horários de entrada e saída dos alunos na escola (momento de se fazer fila, orar, passar instruções ou avisos importantes da administração escolar. Por que não usar esses espaços também para leitura de textos curtos?), nos laboratórios de internet (usar recursos da tecnologia e suas ferramentas “sedutoras”, para promover leitura no ambiente virtual); nos saraus realizados em ruas, praças ou em outros espaços públicos, etc. Há inúmeras maneiras de se trabalhar com a leitura dentro e fora do espaço escolar.   Há professores que reconhecem, sem nostalgias, (o passado passou, o que importa é usufruir dos métodos que deram certo e recriá-los para a contemporaneidade) a necessidade de acompanharem sem deslumbramento a temporalidade e de se atualizarem para empregar os recursos da internet, para seduzir seu público alvo, ou como preferirem, seus alunos. Não estamos em tempos e época para lamúrias e saudosismos, para lamentar que os meios tecnológicos transformaram nossos alunos “em máquinas” a serviço do sistema, ou que eles não conseguem ficar mais de vinte minutos sem apertar um botão de algum aparelho eletrônico em sala de aula. Não há como lutar contra a modernidade. Vivemos no século XXI, mas muitas vezes, requeremos com saudade e boas lembranças, metodologias e alunos do século passado. Boas metodologias do passado são base para a continuidade do caminho, mas não são métodos canônicos, calcificados e necrosados.
O “passado passou”, o que importa é usufruir de metodologias que deram certo e tentar recriá-las, de acordo com as necessidades do público alvo na contemporaneidade, sempre avaliando e planejando ambientes e formas de acessos diversificados para a leitura e para o ensino.

Andreia Aparecida Silva Donadon Leal - Deia Leal
Diretora de Projetos do Jornal Aldrava Cultural
Governadora do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais-Minas Gerais
Presidente Fundadora da ALB-Mariana

Mestranda em Literatura-Cultura e Sociedade pela Universidade Federal de Viçosa 
Exposição Virtual de Obras de Arte:

http://www.artelista.com/slideshow.php?a=8584387574870269&t=1


http://deialeal.artelista.com/

Sétimo Dia!

Sétimo Dia!
                                                                                                Vilma Cunha Duarte

Já perdi tanta coisa importante... Se já!
Faz parte do cumprimento do plano da vida de todos nós. Há que ter um, indubitavelmente. Mesmo céticos e ateus hão de convir. Se não houvesse um plano pessoal para os mais de 7 bilhões de habitantes ainda em 2011, poderia parecer ou coincidir uns com os outros. Não há semelhança. Execrando ou morrendo de inveja do semelhante, impossível ter vida igual a dele.

A última rasteira que a vida me passou foi um deus nos acuda. Perda incomensurável de amargar orfandade atípica, difícil e complicada.
Um sem mais nem quê decretou mais esta morte, que me enluta inclusive a prática da literatura.

Acaso sempre apronta das suas. Uma hora, encantador e pródigo leva a gente ao sétimo céu.
Noutra, pinta e borda sem dó.  Até mata com a naturalidade impune que lhe é peculiar.
O danado me maltratou com esse último sumiço como quem pode, e... dane-se!

Há como pôr acaso na cadeia? De jeito maneira!
Ele se safa numa boa, como políticos e seus renovados engodos. Driblam até mesmo a pelejada ficha-limpa, dona de milhares de assinaturas.  Que hoje, ainda muito suja, contabiliza decepções.

Se eu pudesse, pegava o acaso pelo pescoço e o esganava.
Invejoso! Gosta de um malfeito, malsão, malquisto, malposto...

Já perdi a conta também, das histórias contadas e escritas sobre as falcatruas do tal.
Como você, certamente.
Um amigo diz que ele apronta e ainda ri da gente. Se fosse um personagem folclórico, tinha tudo do Saci Pererê. Implico com o acaso mal-humorado e ruim, faço questão de enfatizar.
O bonzinho é um doce como todo mundo sabe.

Que dó! Fiquei órfã de preciosidade demais desta vez.
Nem dá pra imaginar.

Hoje, enquanto escrevo, sétimo dia da fatal-fatalidade-fatídica, agradeço a Deus a capacidade de contornar as situações da minha vida, com fé, paciência e até humor.
Há muito, dei-me conta que arrancar os cabelos é bobagem e o que não tem remédio, remediado está.

Tudo encolhe se comparado à morte do meu marido.
Não subestimo a importância de nada, mas poupo-me de sofrimentos desnecessários. Uma trincheira e tanto na proteção da autoestima e recaídas emocionais.

Esta última perda balançou, mas não me levou ao chão. Egoísta, carregou anos da minha vida  em arquivos importantíssimos da sua memória, que eu acreditava poderosa.

...Deveras triste a morte súbita do HD do meu computador. Os “doutores” em tecnologia, que lhe tentaram a ressurreição, não sabem dizer se ele morreu de morte morrida, suicidou-se ou foi vítima do acaso.

Entre os tesouros guardados no dispositivo mestre da máquina, estavam os endereços eletrônicos de tantos que me leem pela Internet. Deixo aqui, o pedido enfático. Por favor, mande-me novamente. Sumiram mais de 600 e o seu estava lá. Gosto muito de lhe enviar meu trabalho com ilustração e música. Esqueça não, tá?
  
Comecei vida nova em outro HD. Livre de lamentações doentias.
O que foi, está ido, e acabou-se o que era doce...
Duvido nada do computador ter copiado a minha moda e urdido também lá, as suas mudanças.
Não deixei um endereço de 15 anos e comecei tudo de novo? 
Fazer o quê?
O jeito é tocar pra frente como der e vier.  
Sempre!


 
 

Um Certo Mia Couto

UM CERTO MIA COUTO

Cesar Vanucci *

"Onde restou o homem, sobreviveu
semente, sonho a engravidar o tempo."
(Mia Couto, escritor moçambicano)

Espera fatigante em aeroporto estrangeiro, para pegar conexão de vôo que me trouxesse de volta ao Brasil, proporcionou-me a descoberta de um autor que escreve maravilhosamente bem no idioma falado em nosso país. E que, à parte ligeiras diferenciações, mais de forma que de conteúdo, é o idioma também falado em sua terra natal, Moçambique. Com certeira segurança, apreciadores da boa prosa literária, melhormente informados do que rola nesses domínios encantados da arte feita em letra de forma, já terão chegado, muito antes, às mesmíssimas conclusões a que este retardatário e desavisado amigo de vocês só agora está conseguindo chegar, depois da leitura embevecida das "Estórias abensonhadas", de Mia Couto. Consola-me o adágio das ruas: antes tarde do que nunca.

O modo de Mia Couto se exprimir, como craque titular do escrete da palavra, desperta no leitor um redemoinho de emoções. A começar pela forte impressão que passa de ser um apaixonado apreciador e seguidor, com brilho próprio natural, da escola de recriação da linguagem instituída por mestre Guimarães Rosa. A comparação não implica em desdouro pro escritor. Muito antes, pelo contrário. Na verdade, adiciona louvação a mais em cintilante trajetória literária. O texto destila poesia a mais genuína. As interpretações líricas dos flagrantes da vida moçambicana retratados nos contos são de lindeza única. Mia soube captar com mestria a fala sábia do povo, ditos regionalistas de extremo sabor. Transpôs para o livro experiências vividas e sofridas de sua gente, "entre as margens da mágoa e da esperança", depois da guerra que devastou o país.

Seu parentesco espiritual com Guimarães Rosa é revelado, igualmente, de forma bastante nítida, no tratamento místico dispensado aos personagens, paisagens e coisas. Por conta disso ocorreu-me até, após a leitura inteira e a releitura de alguns capítulos mais absorventes de "Estórias abensonhadas", a idéia de pedir, qualquer hora dessas, ao Professor José Maria Martins, autor de esplêndido e instigante estudo sobre a obra de Guimarães ("O alquimista do coração"), uma avaliação desses escritos e de outros mais do autor, enfeixados sob os títulos "Vozes anoitecidas", "Cronicando", "Cada homem é uma raça", "Terra sonâmbula", "Cantos do nascer da Terra".

Com seu transbordante lirismo, no toque mágico que imprime às palavras na linha do realismo fantástico, no humanismo permanentemente aflorado e no estilo arrebatante no contar causos e no desenhar perfis humanos, Mia Couto se mostra escritor com lugar de realce garantido na literatura portuguesa. Suas estórias falam de um território "onde nós vamos molhando de esperança o rosto da chuva, água abensonhada". Um território "onde todo homem é igual, assim: fingindo que está, sonhando que vai, inventando que volta".

* Jornalista (cantonius@click21.com.br)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Assim falou Einstein

Assim falou Einstein

Cesar Vanucci *

“A imaginação é mais importante que o conhecimento.”
(Albert Einstein)

Alguém pediu, certo dia, a Albert Einstein que explicasse, de forma didática, acessível à patuléia ignara, a famosa “Teoria da Relatividade”. O fabuloso cientista, como é sabido, foi autor de ditos e feitos salpicados de refinado humor. Seu estilo literário de dar voz às idéias, outra faceta cintilante de sua extraordinária e incomparável capacidade intelectual, situava-o no mesmo patamar de alguns mestres consagrados do ofício do humor, como Charles Chaplin, Woody Allen, Mark Twain, Bernard Shaw, Millor Fernandes. A definição achada para a Teoria da Relatividade, baseada numa metáfora saborosissima, é reveladora dessa faculdade assombrosa na lida da palavra: “Se você permanecer, por duas horas seguidas, ao lado de uma linda garota, parecerá que se passaram apenas dois minutos. Se você encostar o bumbum numa chaleira quente por dois minutos parecerá que se passaram duas horas. Isso é a Relatividade.”

E não é que me chega às mãos, neste justo momento, pela Internet, uma coletânea preciosa de frases, extraídas de livros, discursos, entrevistas, deste fascinante personagem da história! A leitura de cada uma dessas frases constitui lucro certo para o espírito. Donde a incontrolável tentação de aqui reproduzi-las.

Ÿ Sobre o fato de ser alemão e judeu: “Se minha teoria da relatividade resultar exitosa, a Alemanha me reclamará como alemão, e a França declarará que sou um cidadão do mundo. Se minha teoria resultar equivocada, a França dirá que sou alemão, e a Alemanha declarará que sou judeu.”

Ÿ Sobre os ensinamentos recebidos: “Quando recebemos um ensinamento devemos receber como um valioso presente e não como uma dura tarefa. Eis aqui a diferença que transcende.”
“A educação é aquilo que permanece quando alguém esquece tudo o que aprendeu no colégio.”

Ÿ Diante de Deus e do mistério da vida: “Ante Deus somos todos igualmente sábios, igualmente tontos.”
“A coisa mais perfeita que podemos experimentar é o misterioso. É a fonte de toda arte e de toda ciência verdadeira.”

Ÿ Sobre o valor da matemática: “Uma razão pela qual a matemática goza de especial estima sobre todas as demais ciências, é que suas leis são absolutamente certas e indiscutíveis, enquanto que as das outras são, até certo ponto, debativeis e com o perigo constante de ser derrotadas por fatos recém descobertos.”

Ÿ Sobre o sentido das coisas: “É possível que tudo possa ser descrito cientificamente, mas não teria sentido. É como se uma sinfonia de Beethoven fosse descrita como uma variação nas pressões de onda. Como seria descrita a sensação de um beijo ou o “te amo” de uma criança?”

Ÿ Sobre a força da imaginação: “A imaginação é mais importante que o conhecimento.”

Ÿ A respeito das coisas infinitas: “Só há duas coisas infinitas: o Universo e a Estupidez Humana, mas não estou muito seguro da primeira. Da segunda pode-se observar como nos destruímos só para demonstrar quem pode mais.”

Ÿ Sobre a estupidez das guerras: “Não sei com que armamento se combaterá a Terceira Guerra Mundial, mas a Quarta Guerra Mundial será combatida com paus e pedras.”

Ÿ Sobre o preconceito: “É mais fácil destruir um átomo do que um preconceito.”

Ÿ Sobre a conveniência de se manter a boca fechada: “Se A é igual ao êxito, então a fórmula é A=X+Y+Z, onde: X é trabalho, Y é julgar e Z é manter a boca fechada.”

Ÿ A respeito dos sonhos: “O segredo da criatividade está em dormir bem e abrir a mente às possibilidades infinitas. O que é um homem sem sonhos?”

Ÿ A respeito da inteligência e da mediocridade: “Os grandes espíritos sempre encontrarão violenta oposição por parte dos medíocres. Estes últimos não podem entender quando um homem não sucumbe impensadamente a prejuízos hereditários senão quando, honestamente e com coragem, usa sua inteligência.”

Ÿ Descrição da verdade: “Se vais sair à frente para descrever a verdade, deixa a elegância para o alfaiate.”

Ÿ A respeito dos segredos da Terra: “Cada um de nós visita a Terra involuntariamente sem ser convidado. Para mim é suficiente perguntar-me por seus segredos.”

Ÿ Ciência e religião: “A ciência sem religião, é aleijada: a religião sem ciência é cega.”
* Jornalista (cantonius@click21.com.br)

Antologia ALB-Mariana, Aldrava Letras e Artes, InBrasCI-MG


Mariana, 06 de junho de 2011.

Estimados Membros da ALB-Mariana, da Aldrava Letras e Artes, do InBrasCI-MG e Escritores Convidados

A ALB-Mariana, a Aldrava Letras e Artes e o Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais- MG estão preparando belo projeto editorial, para lançamento em grande estilo na cidade mineira de Mariana, em solenidade da ALB-MARIANA, prevista para o início do mês de dezembro de 2011.
Esperamos a participação de Membros da Academia, da entidade Aldrava Letras e Artes, do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais de MG e de Escritores convidados, para marcar presença no grande lançamento no final do ano.
Segue minuciosamente a apresentação do Projeto, bem como, todas as nossas responsabilidades de revisão, maquete, impressão, promoção e lançamento em solenidade festiva da ALB-Mariana, da Aldrava Letras e Artes e do InBrasCI-MG.
Para isso, precisamos receber os textos até dia 15 agosto de 2011 pelo e-mail, juntamente com biografia de cada autor, no máximo 20 linhas (espaço: margem direita: 2 cm e margem esquerda – 3cm – Letra Arial, espaço 1,5 ), com foto do participante, dados de site, blog, e-mail.

Apresentação do Livro: Prosa e Poesia
01-Participação de Membros da ALB-Mariana, da Aldrava Letras e Artes, do InBrasCI-MG e Escritores Convidados com direito a 5 (cinco) páginas. 04 páginas para poemas e/ou prosas. A QUINTA PÁGINA para apresentação do autor.
02-Data da Entrega dos textos: até dia 15 de AGOSTO DE 2011.
 Todos os textos deverão ser enviados para a organizadora da antologia - ANDREIA DONADON LEAL – deiadonadon@yahoo.com.br ou deialeal@jornalaldrava.com.br
3- O livro terá + ou - 180 páginas (podendo atingir um número aproximado de 200 páginas – dependendo da quantidade de participantes. Edição: 1.000 EXEMPLARES.
4 – Cada Autor terá direito a 20 (VINTE) exemplares.
5- Todos os participantes receberão Certificado de Participação da ALB-Mariana, da Aldrava Letras e Artes e do InBrasCI-MG.
6 – Preços:
Revisão, impressão e diagramação:
A Impressão será em preto e branco, papel AP em 90 gramas.
Miolo de uma cor. Capa papel supremo - 240 gramas – 04 cores, laminação fosca e verniz aplicado. Com orelhas de 10 cm. ISBN pela Editora Aldrava Letras e Artes. Projeto gráfico e capa: Editora Aldrava Letras e Artes.
VALOR PARA PARTICIPAÇÃO: = 350,00 (trezentos e setenta reais)
7 - Forma de pagamento:
350,00 REAIS, pagos em duas vezes:
1ª parcela: 175,00 (agosto- até o dia 15 de agosto)
2ª parcela: 175,00 (setembro- até o dia 15 de setembro)

8-INSTRUÇÕES PARA ENVIO DE TEXTOS:
·        O ESCRITOR QUE ENVIAR POESIA:

NÚMERO DE LINHAS: 20 LINHAS para 01 página de poesia. Espaço 1,5 – letra ARIAL. Tamanho: 12.


·        O AUTOR QUE ENVIAR PROSA (CONTO/CRÔNICA/ENSAIO)

02 CONTOS ou 02 Crônicas ou 02 ARTIGOS: com até 52 LINHAS. (para 02 páginas). Espaço 1,5 – Letra ARIAL. Tamanho: 12


Qualquer dúvida estou à disposição: E-mail: deiadonadon@yahoo.com.br
Ou TELEFONE FIXO: (31) 3558-1436


PROJETO GRÁFICO: EDITORA ALDRAVA LETRAS E ARTES
ORGANIZADORES 

Andreia Donadon Leal
Presidente da ALB-Mariana
Governadora do InBrasCI-MG
Diretora de Projetos Culturais da Aldrava Letras e Artes

Gabriel Bicalho
Secretário-Geral da ALB-Mariana
Vice-Governador do InBrasCI-MG
Presidente da Aldrava Letras e Artes (entidade mantenedora da Editora Aldrava Letras e Artes e do Jornal Aldrava Cultural)

J.B.Donadon-Leal
Presidente Executivo da ALB-Mariana e Editor
J.S.Ferreira
Vice-Presidente da ALB-Mariana


Descrição das responsabilidades da EDITORA ALDRAVA LETRAS E ARTES

01 - Descrição: Fabricação: / Impressão.
02 - Preparação da maquete após o recebimento do texto.
03 - Proposição de capa e contracapa, em quatro cores, correção tipográfica de base, paginação.
04 - Impressão na cor negra em papel branco 90 gramas, e capa em papel 240 gramas – 04 cores.
05- Difusões, depósito legal e ISBN.
06- Apresentação e lançamento: sessão solene de final de ano da ALB-MARIANA.
07 – convites de promoção e lançamento, nos sites e blogs especializados
08 – Envio do livro para a Biblioteca Nacional, e inúmeros exemplares serão colocados à disposição do Autor.
09 – O lançamento oficial será no sarau da ALB-MARIANA, previsto para o dia 10 de dezembro de 2011.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Crônica e Poesia de Vilma Cunha

Oh, Minas Gerais! Quem te conhece, não esquece jamais!..

Acadêmica VILMA CUNHA

{O hino mineiro tão bonito e cantado, letra de José Duduca Morais, e melodia adaptada da valsa italiana Viene sul Mare, não é considerado oficial. Uma judiação}...

Há muito, sonhava conhecer Diamantina. Terezinha, dama das excursões religiosas, estreou um projeto com roteiro novo,  convidou uma turma pra lá de especial, comandou o rebanho cor-de-rosa na competência de costume, e quem foi, regalou-se com beleza e cultura por 4 dias na terra do ilustre JK. Com direito a conhecer o Serro das Minas Gerais.

Sede de uma das 4 primeiras comarcas da Capitania das Minas, a antiga Vila do Príncipe do Serro Frio, hoje, cidade do Serro, ainda guarda as características das vilas setecentistas mineiras, o que lhe valeu ser o primeiro município brasileiro a ter seu conjunto arquitetônico e urbanístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em abril de 1938. Azul e branca, marca registrada  dos sobrados e casarões do nosso estado, a cidade exibe mineiridade, com cultura, beleza e filhos ilustres.  "É do Serro que sei que Minas em mim Vive ".(FrançaJúnior).

A descoberta de ricas jazidas de ouro próximas à cidade do Serro, entre os rios Grande e Piruruca, atraiu os primeiros exploradores à região da atual Diamantina. Em 1713, foi fundado o Arraial do Tijuco (que em tupi, significa lama). O grande impulso para o crescimento urbano e econômico do arraial foi a descoberta de jazidas de diamante por volta de 1720. Bernardo da Fonseca Lobo, reconhecido como o primeiro a encontrar a pedra, levou em 1726 alguns diamantes ao governador da província, sediada em Ouro Preto , e a notícia logo chegou à Coroa Portuguesa. Em 1729, o rei D. João V cancelou todas as concessões e instituiu o monopólio particular na extração da pedra, que até então vinha sendo explorada livremente. Foi fundado o Distrito Diamantino, com sede no Tijuco e subordinado à comarca do Serro Frio, para oficializar o controle da extração. A partir da segunda metade do século XIX, Diamantina inicia um período de decadência econômica com o esgotamento das jazidas. Intensificou-se então a agricultura de subsistência apesar do relevo pedregoso, e no início do século XX, a indústria têxtil surgiu como nova opção econômica.

A cidade calçada com pedras pelos escravos, sobe e desce ladeiras ostentando sobrados e casarões imponentes, entregando a belíssima origem portuguesa. Ainda que as ruas e becos estreitos do centro tenham também o traçado irregular que caracteriza outras cidades da época, Diamantina apresenta algumas características só dela. Há poucas praças e não se vê grandes prédios públicos. A arquitetura das igrejas também é diferente de outras cidades históricas. O estilo é simples e elegante. 
Monumentos Civis: Mercado dos Tropeiros; Casa de Juscelino Kubitschek; Casa da Glória e Passadiço; Casa de Chica da Silva; Casa do Padre Rolim (Museu do Diamante); Casarão do Fórum; Casa do Muxarabiê; Rua do Burgalhau;Casa da Intendência (Prefeitura)
Monumentos Religiosos: Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos; Igreja São Francisco de Assis; Igreja Nossa Senhora do Carmo; Catedral Metropolitana de Santo Antônio; Igreja Nosso Senhor do Bonfim; Igreja Nossa Senhora das Mercês; Igreja da Luz; Capela Imperial do Amparo; Basílica do Sagrado Coração de Jesus.

Diamantina é pluricultural. As artes se dão as mãos e dançam a ciranda da rica história. Diamantina canta nas ruas, nas escolas, em saraus nas igrejas centenárias, nas serestas, toca nas Vesperatas famosas, não nega o berço que embalou o belo. Zela pela memória preciosa.

 Arte Miúda, Curso Livre de Arte Integrada, fundado em 1988 por Soraya Araújo Ferreira Alcântara e Maria Eunice Ribeiro Lacerda, tem como objetivo despertar o interesse e a sensibilidade da criança (a partir dos 03 anos de idade) e do adolescente pela arte, por meio da integração  das artes (plásticas, cênicas, musicais e dança), em ambiente propício ao desenvolvimento da criatividade e da descoberta do talento artístico. A Escola desenvolve diversos projetos, com destaque para o resgate e a divulgação da cultura de Diamantina e região. O Projeto “Memória Musical” cultiva e divulga a tradição seresteira de Diamantina com o Grupo de Seresta Infanto-Juvenil que se apresenta para turistas e nativos encantados e também em diversas cidades brasileiras Vimos um espetáculo grandioso.
Semana que vem vou contar!






Amor de Maio
Vilma Cunha
 
O céu chorando em maio
Ensopando a noite lá fora
Pena, meu Pai qual seria?

Chuva alegre meu poeta
De banhar as laranjeiras
Seus botões com poesia

Pai milagreiro das Bodas
Com os cântaros de amor
Sacramentando harmonia 

Poeta, aroma o teu verso
No doce encanto de maio
Hás de incensar a alegria

Um Verdadeiro Humanista

Um verdadeiro humanista

Cesar Vanucci *

“Quem não gosta do Brasil não me interessa.”
(Gilberto Amado)

Tantas coisas ditas e tantas ainda a dizer sobre JA. Reservo-me o direito de, pra frente, voltar a registrar, atos, fatos, ditos e feitos que possam ser incorporados à saga desse personagem fascinante.

O que desejo, por agora, no arremate desta sequencia de artigos, em que me esforcei por pincelar algumas facetas de sua cintilante trajetória, é sublinhar o caráter humanístico que norteou as fecundas ações nesta sua peregrinação pela pátria terrena. Já foi falado, mas não fica demais repetir (a repetição, como atestava Napoleão, é sempre a melhor retórica): o legado deixado por Alencar servirá, com certeza, de inspiração pra muita gente.

Do povoado de Itamuri ao Palácio do Jaburu, chão a perder de vista na extenuante caminhada, o cidadão de infância humilde daquela paisagem roceira, que veio a exercer nos cenários majestosos e refinados do poder funções que tão forte influência tiveram nos destinos de seus compatriotas, soube conservar íntegros os valores e crenças adquiridos no aconchego familiar. Manteve-se fiel às raízes. Os aconselhamentos paternos valeram-lhe de farol na caminhada. “O importante na vida, meu filho, é poder voltar”, foi o que lhe disse o pai, Antônio, no dia em que o abençoou em sua partida rumo a centro maior na busca de “lugar ao sol.”

Alencar madrugou no trabalho, começando por tarefas bem modestas. À custa de invulgares talento e capacidade empreendedora, construiu, palmo a palmo, reluzente carreira. De balconista a pequeno comerciante. Na atividade industrial, despontada adiante, percorreu longo e árduo itinerário até chegar à posição de realce assumida no panorama empresarial.

A crença humanística impregnava seu comportamento. No trabalho, pontilhado de conquistas sociais enriquecedoras. No lar, construído com a ajuda inestimável e decisiva de dona Marisa, companheira resoluta, dama de acrisoladas virtudes, mulher forte na inteireza evangélica. Na vida pública inatacável, reconhecida na reverência das ruas, a partir, sobretudo, do momento em que galgou a Vice-Presidência e criou, com sua inteligência descortinadora, uma forma muito peculiar, descontraída, franca, bem humorada, de dialogar com a sociedade em torno de questões palpitantes. Na doença inclemente, em que tocou a todos com sua inabalável disposição de seguir em frente.

Alencar preencheu com atitudes e palavras, botando pra fora seu apego a valores humanísticos e espirituais que conferem dignidade à aventura humana, um espaço na paisagem política que é hoje percebido pelos seus patricios como uma referência de vida, valendo de exemplo e inspiração.

Foi um compatriota que soube olhar o Brasil, o jeito de ser de sua gente, com sentimento de brasilidade. Pensava como Gilberto Amado: “Quem não gosta do Brasil não me interessa.” Sentia-se em desagrado com essas pessoas que, contemplando nossa realidade, nossas lutas e conquistas, procedem como aqueles indivíduos mórbidos pela própria natureza que, diante da magnitude do mar, só têm palavras para o enjôo, conforme a anotação crítica de Louis Pauwells.

Deixei por último uma revelação danada de intrigante, de certo modo inédita, já que nunca registrada publicamente, envolvendo uma previsão feita por Neila Alckmin a este desajeitado escriba numa manhã nevoenta de fevereiro do ano de 1990. As circunstâncias que me colocaram frente a frente com a famosa sensitiva, de saudosa memória, em Conceição do Rio Verde, foram, pra dizer o mínimo, intrigantes. Deixo para outra ocasião essa parte do relato. O que desejo sublinhar é o seguinte: Neila antecipou, surpreendentemente, num papo com duração bastante extensa, que o dirigente maior da entidade em que eu trabalhava – a Fiemg – estava vocacionado a cumprir, num futuro próximo, uma missão de notável relevo na cena pública brasileira. Lembro-me de ter-lhe indagado, na ocasião, relutando, inconscientemente, de certa maneira, em acatar seu vaticínio, por que não dera certo a previsão que fizera acerca da eleição do Afif Domingos no pleito presidencial recém-findo. Ela não demonstrou melindrar-se com a pergunta. Limitou-se a explicar que fora mal interpretada no tocante ao fato, que rendeu, como é sabido, vasto comentário crítico na época.

Depois deste encontro, antes de sua partida, falei com Neila por mais três vezes. Todas por telefone. Ela sustentou, convictamente, o que havia dito acerca do futuro papel político de Alencar na história brasileira.

* Jornalista (cantonius@click21.com.br)